Congresso de Jornalismo Ambiental discute projetos de integração da América do Sul

Assessoria – A Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) será um dos principais focos de discussões do 3º  Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em Cuiabá (MT). Na manhã do dia 19 de março, duas mesas redondas vão discutir o tema em torno de três questões centrais: o Brasil precisa dessas obra? Quem será beneficiado, quem sairá prejudicado?

Representantes de diversos segmentos envolvidos na questão vão participar dos debates. Na primeira mesa, o jornalista do Blog da Amazônia, no portal Terra, Altino Machado, irá moderar o debate entre o representante do Ministério do Desenvolvimento, Eduardo Rodrigues e o diretor executivo da Ong Ecoa, Alcides  Faria.  Na segunda mesa,  o o jornalista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Carlos Tautz, coordenará a discussão entre o o jornalista uruguaio Victor Bacchetta, autor de “A Fraude da Celulose”, a pesquisadora da Associação de Defesa Etnoambiental (Kaninde), Telma Monteiro e o pesquisador e educador da Ong Fase Amazônia, Guilherme Carvalho.

IIRSA – Pouco conhecida para a maioria da população sul-americana, a Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (IIRSA) é um processo multisetorial que pretende desenvolver e integrar as áreas de transporte, energia e telecomunicações da América do Sul, em dez anos.  Lançado em 2000, durante a Reunião dos Presidentes da América do Sul, as obras chaves da IIRSA são de grande proporção física e podem causar sérios impactos sociais e ambientais, como o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira (Amazônia) e do Complexo Hidrelétrico Garabi (rio Uruguai, fronteira do Brasil com Argentina).

Doze países fazem parte da iniciativa e sua base de planejamento têm dez eixos de integração da América do Sul que abrangem faixas geográficas de vários países que concentram ou possuem potencial para desenvolver bons fluxos comerciais. A ideia é formar cadeias produtivas e assim estimular o "desenvolvimento regional".  A coordenação operacional da IIRSA está a cargo da Corporación Andina de Fomento (CAF), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).  Envolve doze países.

Para o jornalista Altino Machado é importante que o IIRSA esteja em debate no Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental porque os empreendimentos de integração da América do Sul já estão causando sérios impactos. “São obras de grande magnitude que estão fora do foco da mídia e longe dos centros das cidades. Elas são realizadas onde há rios, biodiversidade e populações muito vulneráveis”, diz.

Machado mora no Acre, um dos Estados por onde passa a Rodovia Interoceânica, obra do IIRSA que liga regiões brasileiras produtoras de grãos e gado aos portos peruanos. “Aqui não vemos um fluxo de turistas atraídos pela estrada, mas um acréscimo das apreensões de drogas na fronteira. Em Rio Branco e nas cidades que estão próximas da Interoceânica há jovens que vendem pasta base. No Peru, em Madre de Dios, região de exploração de ouro, os garimpos trazem impactos para uma região muito sensível da floresta amazônica, além de problemas como prostituição e trabalho infantil nos locais de mineração”, afirma.

Segundo o jornalista, os debates no Congresso serão uma oportunidade para que os comunicadores possam levar as discussões sobre a IIRSA para a sociedade “que segue indiferente ao assunto porque não dispõe de informações e não tem forças para se contrapor às iniciativas da IIRSA, que atingem, não só ao meio ambiente, mas também  a juventude e os indígenas nas regiões por onde passa”, afirma.

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