Mulheres indígenas de Mato Grosso: Um espaço reivindicativo

Assessoria – Nos dias 6 a 9 de setembro, foi realizado o  VI Encontro de Mulheres Indígenas de Mato Grosso, na área Portal do Encantado do povo Chiquitano. Este local foi escolhido no  Encontro do ano passado atendendo a reivindicações de mulheres desta comunidade, que solicitaram  apoio  diante da  grave situação que estão enfrentando, para o reconhecimento como indígenas e pela demarcação e regularização do território. Suas aldeias encontram-se rodeadas por desmatamento, pastagens, gado, a água contaminada e as nascentes comprometidas devido a exploração ilegal por parte dos fazendeiros que ocupan impunemente as terras dos Chiquitano.

Organizado pela primeira vez por uma comissão de mulheres indígenas,  representantes  das distintas regiões do Estado, a contribuição da associação de mulheres da aldeia Umutina –  Otoparé e assesorias, junto com o apoio de diversos colaboradores, tanto instituicionais quanto de pessoas aliadas à causa indígenas e o esforço das comunidades Chiquitano.

O evento foi um espaço de intercâmbio e apoio entre as mulheres indígenas que caminham para conseguir uma articulação, que lhes perimita somar forças na luta pelos seus direitos constitucionais e melhores condições de vida em suas aldeias, conforme foi explicitado por elas nas discussões sobre o tema “A Sustentabilidade e a Mulher”, evidenciando também a importância do  papel da mulher indígena nas suas organizações internas. Vale destacar que dentre as participantes encontravam-se 4 mulheres cacique das comunidade: Umutina, Bororo e Chiquitano. 

Foi discutido a situação crítica que muitos povos estão passando e a luta destes pela demarcação de sua terras como: Irantxe, Chiquitano da aldeia Vila Nova que vivem sem água, encurralados pelos fazendeiros e impossibilitados de fazer suas roças e retirar matéria prima para praticar seus rituais; os Bororo de Jarudore que estão ameaçados de morte e impossibilitados de viverem com dignidade dentre de sua própria terra; os Guatô que há muito tempo luta pela demarcação de suas terras e até o momento nenhuma providência foi tomada. Como nos anos anteriores, atendendo a estas e outras solicitações, foram elaborados documentos reivindicando providências,  encaminhados para os órgaõs correspondientes: Ministério Público Federal, Ministério da Justiça, Funai, Funasa, IBAMA.  

As mulheres levantaram questões que imposibilita a sustentabilidade dos povos indígenas e problemas comuns que as  atingem de manera grave como: o consumo de bebida alcóolica, a violência contra a mulher e a discriminação que sofrem  na educação escolar e na saúde. Encontrar  espaços na  organização comunitária e ocupação de postos também foi levantado como dificuldades comuns entre muitas mulheres de diversos povos. Porém, foi  destacando também a importância do trabalho conjunto para a   busca de caminhos e  soluções.
Houve espaço para o intercâmbio de sementes, apresentações culturais, alimentação tradicional e debates sobre alternativas de sustentabilidade com relatos positivos de  experiência próprias de algunas comunidades.

O encontro contou também com a presença de  mulheres indígenas e não indígenas que ocupam cargos  relevantes para o movimento indígena, elas demostraram seu apoio e contribuiram com  esclarecimientos sobres as políticas públicas no que se refere à educação, saúde, elaboração de projetos e outras.

Foi decidido por  consenso, que o próximo encontro será  na Aldeia Meruri, para que se possa somar forças e contribuir com o  povo  Bororo na luta pela regularização do seu  território de Jarudore.

Pela comissão   organizadora: Maristela Sousa Torres e Emília Casanova Borso D.C

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