Proibido o desmatamento em 19 municípios de MT

A Gazeta – O governo federal proibiu o desmatamento em 36 municípios de 4 estados que fazem parte do bioma amazônico, que juntos são responsáveis por 50% da derrubada de florestas da Amazônia. Entre os estados está Mato Grosso, que lidera o ranking, com 19 municípios que mais desmataram nos últimos cinco meses. Uma portaria será publicada ainda hoje proibindo autorizações de desmate.

Segundo informou o ministro da Justiça, Tarso Genro, a fiscalização será feita por 800 policiais federais que serão encaminhados para postos na região a partir do dia 21 de fevereiro. O presidente Lula deverá chamar prefeitos e governadores para uma reunião na próxima semana para discutir o assunto.

O alerta contra o desmatamento foi feito na quarta-feira (23) quando a ministra do Meio Ambiente Marina Silva teve acesso aos dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e que demonstraram que entre agosto e dezembro de 2007 foram desmatados na Amazônia 3.235 quilômetros quadrados, sendo que 1.786 ocorreram em Mato Grosso. Entre agosto de 2006 e 31 de julho de 2007, foram desmatados no Estado 2.476 km2.

Ainda ontem as ONGs brasileiras Instituto Centro de Vida (ICV) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgaram dados de desmatamento feitos mensalmente através do Boletim Transparência Florestal e demonstraram uma aumento de 49% no desmatamento em Mato Grosso no mês de novembro de 2007 se comparado com o mês anterior, e 39% maior que outubro de 2006. Os dados coletados para o boletim são do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD) que utiliza imagens de satélite em tempo real (Deter).

Mesmo com aumentos significativos e preocupantes nos índices de desmatamento no Estado, houve uma redução nos últimos anos, se for comparado a 2003 e 2004, quando o desmatamento chegou a 11.814 km2. A redução chega a 75% com relação a área desmatada entre 2006 e 2007.

O presidente do ICV, Sérgio Henrique Guimarães, disse ontem que já estava sendo observado aumento no desmatamento nos últimos meses e em novembro passado já havia sido feito um alerta às autoridades brasileiras.

Segundo os dados do boletim das ONGs, entre agosto e novembro passado foram desmatados 1.703 quilômetros quadrados, número um pouco diferente do anunciado pela Inpe mas que convergem para o avanço do desmantelamento na Amazônia. " Os números são importantes mas o que nos preocupa é que quase 80% desse desmatamento é ilegal e é nessa direção que devem surgir ações eficientes", disse.

Dos 19 municípios mato-grossenses que mais desmataram nos últimos cinco meses, o Boletim Transparência Florestal destaca Marcelândia no Norte, Gaúcha do Norte e Querência, na região Leste, no entorno do Parque Indígena do Xingu. Nessa área também está na lista dos mais desmatados o município de Paranatinga. Essa é uma das regiões mais pobres de Mato Grosso e que tem como base econômica a pecuária.

Segundo análise das ONGs que acompanham o desmatamento nessa região, uma das hipóteses levantadas é a retomada dos preços das comodities da carne e do interesse no plantio de cana-de-açúcar para a produção de biodiesel. "Está acontecendo um certo movimento de compras de terras tanto em Goiás como na região do Xingu no Mato Grosso, com esse objetivo", comentou Guimarães.

O coordenador do Programa Xingu, da ONG Instituto Sócio Ambiental (ISA), André Vilas Boas, que tem escritório em Canarana e desenvolve programas de conscientização e proteção das cabeceiras do rio Xingu, também acredita que o aquecimento do mercado de comodities tem influenciado. "No momento em que isso ocorre percebe-se que o desmatamento se acelera", diz. Villas Boas avalia as medidas do governo federal para conter o desmatamento e diz que é preciso envolver vários ministérios inclusive os órgãos financiadores da política agrícola. "A atitude do governo federal me parece interessante mas é preciso lincar a legalidade das propriedades rurais com os financiamentos e aliar-se com a co-responsabilidade das cadeias produtivas", comentou.

Além das causas econômicas que alavancam o desmatamento em Mato Grosso, é preciso lembrar do alto índice de queimadas (40% a mais em relação a 2006) que ocorreu em Mato Grosso de julho a outubro do ano passado. Umas das regiões que mais queimou foi no entorno do Parque Indígena do Xingu em função da forte estiagem que aconteceu até o final do ano.

Para o secretário-executivo do Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), André Alves, o governo estadual e federal se acomodou com o quadro de redução do desmatamento e " se vangloriava que isso se deu por conta de ações governamentais. Agora podemos dizer que essas ações não foram eficientes porque é preciso fiscalizar e responsabilizar criminalmente quem cometeu o dano. O resto não passa de política", disse.

Lista de proibição

1 – Alta Floresta (MT)

2 – Altamira (PA)

3 – Aripuanã (MT)

4 – Brasil Novo (PA)

5 – Brasnorte (MT)

6 – Colniza (MT)

7 – Confresa (MT)

8 – Cotriguaçu (MT)

9 – Cumaru do Norte (PA)

10 – Dom Eliseu (PA)

11 – Gaúcha do Norte (MT)

12 – Juara (MT)

13 – Juína (MT)

14 – Lábrea (AM)

15 – Machadinho D"Oeste (RO)

16 – Marcelândia (MT)

17 – Nova Bandeirantes (MT)

18 – Nova Mamoré (RO)

19 – Nova Maringá (MT)

20 – Nova Ubiratã (MT)

21 – Novo Progresso (PA)

22 – Novo Repartimento (PA)

23 – Paragominas (PA)

24 – Paranaíta (MT)

25 – Peixoto de Azevedo (MT)

26 – Pimenta Bueno (RO)

27 – Porto dos Gaúchos (MT)

28 – Porto Velho (RO)

29 – Querência (MT)

30 – Rondon do Pará (PA)

31 – Santa Maria das Barreiras (PA)

32 – Santana do Araguaia (PA)

33 – São Félix do Araguaia (MT)

34 – São Félix do Xingu (PA)

35 – Ulianópolis (PA)

36 – Vila Rica (MT)

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