Assentamento recebe agroindústria de castanha

A Gazeta – No assentamento Vale do Amanhecer, localizado em Juruena, a 950 km de Cuiabá, o dia do trabalhador foi comemorado com a inauguração da Unidade de Beneficiamento de Castanha-do-Brasil. Com 300 metros quadrados, sendo 100 construídos em alvenaria, a Unidade tem capacidade de produção de 50 toneladas (ton.) por mês, podendo chegar a 180 ton. ainda este ano. A colheita deste ano envolveu agricultores familiares, índios das etnias Rikbatsa, Zoró e Arara e seringueiros. Ao todo serão beneficiadas cerca de 500 famílias que ocupam uma área de 623 mil hectares envolvidas no Programa Integrado da Castanha, dois assentamentos e a Reserva Extrativista Guariba Roosevelt.

A produção da Unidade de Beneficiamento do Assentamento Vale do Amanhecer tem destino certo. A Carpello Indústria de Alimentos de Sinop, a 480 quilômetros de Cuiabá, firmou o compromisso de adquirir 50 toneladas do produto beneficiado em 2008. Para alcançar esta produção, a unidade necessitará ainda de 150 toneladas de castanha com casca. O produto será adquirido da Reserva Legal comunitária e das parcelas dos agricultores do Vale do Amanhecer, do PA Juruena (assentamento vizinho), da Fazenda São Nicolau que cedeu a produção da sua Reserva Legal de 7.500 hectares e das três terras indígenas Erikbatsa, distribuídas ao longo das ilhas do Rio Juruena.

Esta é mais uma etapa cumprida do Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste de Mato Grosso, o GEF Noroeste, executado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), que já apresentou resultados muito superiores aos previstos quando foi iniciado, em 2001. É importante enfatizar que este trabalho já resultou em uma safra 13 vezes maior e em um ganho de mais de 400% na venda do quilo da castanha. Entre os anos de 2003 e 2007 o projeto apoiou a produção e comercialização de 520 toneladas de Castanha-do-Brasil.

O programa apóia a implantação de infra-estrutura para a coleta, seleção, secagem, armazenamento e comercialização da castanha. Esta iniciativa tem o apoio da CONAB, através do Programa de Aquisição de Alimentos : Compra para Formação de Estoque e Compra com Doação Simultânea.

Árvore atinge 50 metros e 1.200 anos

A castanha-do-brasil também é conhecida como castanha-do-pará e castanha-da-amazônia. Uma castanheira pode atingir a altura de 50 metros, com uma copa frondosa, que mede quase 40 metros de diâmetro, com idade estimada entre 800 e 1.200 anos. Ela floresce de outubro a dezembro e as castanhas amadurecem entre 12 e 15 meses após o florescimento.

O fruto da castanheira pesa cerca de um quilo e pode conter de 15 a 24 sementes. Além de calórica, a amêndoa da castanha possui cálcio, fósforo, magnésio, potássio, cobre, selênio, vitaminas A, B1, B2 e C. Quando desidratada, a amêndoa da castanha possui 17% de proteína, cerca de 5 vezes mais do que o conteúdo calórico do leite de vaca in natura. Os frutos são coletados no chão da floresta, entre os meses de janeiro e maio e amontoados inicialmente em uma lona para iniciar a abertura das castanhas.

A Unidade de Beneficiamento da Castanha-do-Brasil no assentamento Vale do Amanhecer tem uma infra-estrutura de 300 metros quadrados, dividida em espaços para recepção, secagem e armazenamento da castanha em casca. Haverá também um espaço para higienização dos funcionários e limpeza dos utensílios utilizados no beneficiamento e ainda uma sala para quebra da casca, seleção, pesagem, empacotamento e armazenamento das amêndoas.

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