Conferência Internacional de Áreas Úmidas discute educação ambiental

Assessoria – A educação ambiental é um dos temas da 8ª INTECOL, a Conferência Internacional de Áreas Úmidas, que será realizada entre os dias 20 e 25 de julho, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, Mato Grosso.  Realizado pela primeira vez na América Latina, o encontro vai reunir pesquisadores do mundo inteiro para debater políticas de conservação, proteção e sustentabilidade destes territórios.  “O tema deste ano são as grandes áreas úmidas, como o Pantanal mato-grossense, que avança até a Bolívia e o Paraguai. Estes ecossistemas estão entre os mais ameaçados do mundo, já que sofrem um grande impacto ambiental provocado pelas ações humanas”, explica Paulo Teixeira de Sousa Jr., secretário-executivo do Centro de Pesquisas do Pantanal, entidade que organiza o evento em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Associação Internacional para a Ecologia.

“É preciso buscar sempre o entrelaçamento entre cultura e natureza”, afirma a pesquisadora Michèle Sato, que vai coordenar um workshop sobre educação ambiental. Ela considera que para envolver as comunidades é preciso levar em conta o saber local, respeitar as características de cada sociedade. Os pantaneiros, por exemplo, têm a espiritualidade muito forte, o que pode ser notado nas festas da região. Não há comemoração que não seja religiosa. “Um dos caminhos é ouvir as narrativas da população, suas crenças, suas verdades e seus mitos. Entrelaçamos os conhecimentos científicos com os populares, promovendo a mediação pedagógica. Materiais educacionais são produzidos de acordo com a realidade de cada lugar e as propostas de conservação são gestadas junto com as comunidades”, explica Michèle.

O workshop contará com a participação do geógrafo Mauro Guimarães, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da pesquisadora Dolores Garcia, da Universidade Federal de Mato Grosso, e da suíça Sandra Hail, coordenadora da área educacional da Convenção Ramsar – um acordo mundial para proteção de áreas úmidas firmado em 1971 na cidade de mesmo nome, no Irã. Michèle aposta no encontro como um grande laboratório para criar propostas que promovam o intercâmbio do global com o local e do popular com o erudito. “Participo da lista internacional da Convenção de Ramsar há quatro anos. Cada país parece ter suas políticas específicas, mas a proposta global ainda não consegue dialogar com as singularidades de cada região. Certa vez, eu pedi mais informações sobre um material educativo a uma pessoa da Austrália e ela simplesmente queria ‘transferir’ o pacote, como se não tivéssemos autonomia, competência ou singularidade próprias”, conta.

Ela crê que com mais debates entre os países será possível criar propostas ambientais mais abrangentes e efetivas. “Se a participação dos movimentos sociais for mais forte, seremos capazes de construir as leis, torná-las eficientes, concretizáveis e possíveis, não apenas à minoria, mas para todos. Esperança é a palavra-chave da educação ambiental”, avalia Michèle.

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