Extração e beneficiamento da castanha-do-Brasil muda a vida dos povos da floresta

Assessoria – Uma parceria, até pouco tempo atrás, considerada improvável. Índios das etnias Rikbaktsa e Zoró, extrativistas da Reserva Guariba-Roosevelt e agricultores do assentamento Vale do Amanhecer, todos da região noroeste de Mato Grosso, se uniram para planejar atividades extrativistas, consolidando a idéia de que a conservar a floresta em pé, além do ganho ambiental, tem proveitos econômicos. A castanha-do-Brasil é o carro chefe desta experiência, mas que envolve também outros produtos não-madeireiros como o látex e a copaíba.

Durante mais de uma semana, um grupo de 50 pessoas dessas localidades esteve reunido em Juína, Juruena e Cotriguaçu juntamente com técnicos e consultores do Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso, realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD Brasil para avaliar o andamento do projeto e planejarem novas ações.

A principal demanda, de acordo com o coordenador técnico do PNUD, Plácido Costa, é a melhoria da coleta, armazenamento e beneficiamento da castanha-do-Brasil. “Desde 2003, quando implantamos o Programa Integrado da Castanha – PIC na região, os participantes conseguiram ter um salto no preço do quilo da castanha, chegando a vender até a R$ 2,10”, explica. “Com boas práticas de manejo, melhoria de infra-estrutura e definição de foco é possível conseguir bons preços e principalmente bons compradores. Na prática significa que quanto melhor a castanha, menor será o interesse em vendê-las a atravessadores”.

No que se refere às boas práticas, projetos como o da Sema e do PNUD, o Projeto União dos Povos da Floresta para Proteção dos rios Juruena e Aripuanã, patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental e outros apoios, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, são formados agentes da castanha, que visa mobilizar e gerenciar a produção da castanha nas aldeias, no assentamento ou na reserva. Uma cartilha de 40 páginas com dicas para se obter uma castanha de boa qualidade e para comercializá-las também foi lançada e em breve estará disponível para download pela internet.

Para a melhoria de infra-estrutura o projeto irá apoiar a construção de barracões e a instalação de secadores rotativos, que permitem uma maior agilidade na secagem da castanha, garantindo uma melhor qualidade de produto. “Com a chegada dos secadores estaremos num novo patamar. Estimo um aumento de 40% no preço do quilo da castanha”, acredita Everaldo Dutra, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã. “Isso significa que teremos melhores compradores, diminui-se a possibilidade de calote por parte de atravessadores, o que, no final das contas, reflete na auto-estima dos extrativistas”, declara.

Com mais qualidade na extração e agilidade na secagem, os técnicos e integrantes do projeto avaliam que o próximo passo é a definição de foco. Na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt existe uma fábrica de óleo de castanha e no assentamento Vale do Amanhecer, em Juruena, uma fábrica de beneficiamento de castanha em amêndoa (sem casca), inaugurada em maio deste ano. A idéia é que os grupos produzam melhor e que os índios Rikbaktsa e Zoró, por exemplo, possam vender suas castanhas para estas fábricas, além de outros compradores.

O Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste tem como foco a compatibilização do desenvolvimento sócio-econômico com a conservação da biodiversidade e foi implantado nos municípios de Juína, Castanheira, Juruena, Cotriguaçu, Aripuanã, Colniza e Rondolândia, localizados na margem esquerda do rio Juruena. Inicialmente, através do projeto, Programa Integrado da Castanha (PIC), visava o incentivo aos processos de gestão ambiental em terras indígenas com ênfase na conservação e manejo da Castanha-do-Brasil nas terras indígenas Rikbaktsa, Japuíra e Escondido.

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