Livro apresenta boas práticas de coleta, armazenamento e comercialização de castanha-do-Brasil

A melhoria da qualidade da castanha-do-Brasil e sua comercialização são um grande desafio para agricultores, seringueiros e povos indígenas. Mas na região do noroeste, essa realidade já vem sendo alcançada por alguns povos do Noroeste de Mato Grosso, como o povo indígena Arara e os agricultores do Projeto de Assentamento Juruena. Eles melhoraram suas práticas de coleta e armazenamento da castanha e obtiveram uma quebra de apenas 11% do estoque coletado e alcançaram preços de R$ 21,00 a lata contra os R$ 8,00 pagos pelos atravessadores em 2007.

Quais são algumas dessas técnicas de melhoria da qualidade da castanha-do-Brasil coletada e cuidados gerenciais que devem ser tomados para sua comercialização são os eixos norteadores da publicação “Boas práticas de coleta, armazenamento e comercialização da castanha-do-Brasil: Capacitação e intercâmbio de experiências entre os povos da Amazônia mato-grossense com manejo de produtos florestais não-madeireiros”.

Produzida pelo Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso, desenvolvido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD Brasil em parceria com a Associação do Povo Indígena Zoró – APIZ, a publicação é o resultado de um longo caminho percorrido por povos indígenas, seringueiros e agricultores da região noroeste do Estado do Mato Grosso que combinaram seu rico conhecimento sobre o comportamento e ecologia da castanha-do-Brasil com o conhecimento especializado de técnicos dos campos da engenharia florestal, antropologia, ecologia, agronomia e economia. A fusão destes conhecimentos foi amplamente discutida e enriquecida em encontros de intercâmbio e capacitação no noroeste de Mato Grosso, onde o projeto é desenvolvido, transformando-se em um conjunto de boas práticas de coleta, armazenamento e comercialização da castanha-do-Brasil.

A publicação é dirigida às escolas indígenas e rurais, uma vez que os jovens estão cada vez mais envolvidos nas atividades de coleta e comercialização da castanha. “Os jovens possuem uma grande facilidade de fazer a ponte entre o conhecimento tradicional e as novas tecnologias”, ressalta Plácido Costa, que integra a equipe do projeto.

A produção da publicação só foi possível graças ao empenho e dedicação de todos aqueles que integram e participam do Programa Integrado da Castanha (PIC). Unidos em um grande mutirão, coletores, coordenadores da castanha, associações dos povos indígenas Zoró, Rikbaktsa e Arara, associação dos seringueiros dos Rios Guariba e Roosevelt e associações dos agricultores dos Assentamentos Vale do Amanhecer e Juruena, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã, equipe técnica e instituições parceiras, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA), a Coordenadoria de Agroextrativismo – Ministério do Meio Ambiente, o Programa Petrobras Ambiental e a empresa Ouro Verde juntaram esforços para mostrar que é possível colocar em prática seus conhecimentos, habilidades e recursos a favor da melhoria da qualidade da castanha e uso sustentável da floresta.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário acreditou na força desta proposta e apoiou, através do seu Programa de Igualdade de Raça, Gênero e Etnia, um programa de capacitação e intercâmbio de experiências sobre boas práticas de coleta, armazenamento e comercialização da castanha-do-Brasil para 60 agentes multiplicadores indígenas, os coordenadores da castanha. Essa iniciativa é um exemplo de como o estabelecimento de parcerias é importante para o diálogo entre conhecimentos e saberes em constante construção.

A publicação “Boas práticas de coleta, armazenamento e comercialização da castanha-do-Brasil” está disponível para download em PDF no site www.pactodasguas.org.br ou clicando aqui.

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