Educação e Economia são discutidas em curso de jornalismo ambiental

André Alves –  “O papel da mídia não é só vender a notícia como mercadoria, é também partilhar conhecimento.” A frase é do jornalista Aluízio Azevedo, mestrando em Educação Ambiental pela UFMT, explicando aimportância da Educação Ambiental nos meios de comunicação. Azevedo ministrou a palestra sobre jornalismo e Educação Ambiental no segundo encontro do Curso deJornalismo Ambiental,na última terça-feira, 14.

O jornalista defendeu a tese de que a Educação Ambiental não deve se restringir a educação formal, mas também a informal, onde os meios de comunicação deveriam ter papel preponderante nisso. Ele citou que a Lei Federal  9.795, de 27 de abril de 1999 quanto a Lei Estadual de 7.888 de 09 de janeiro de 2003 determinam que a imprensa que “colaborar de maneira ativa e permanente na disseminação de informações e práticas educativas sobre o meio ambiente”. Mais do que isso, ambas as leis preconizam que a dimensão ambiental tem que ser incorporada na “formação, especialização e atualização dos profissionais de todas as áreas”.

Para Azevedo, isso tem que acontecer para que formas incoerentes de representação da natureza sejam combatidas. “A visão romântica da natureza, de algo intocável, tem que ser questionada tanto quanto a visão da natureza como mero recurso para ser gerido”, explicou defendendo o conceito de sociedades sustentáveis, onde a natureza e sua intrínseca relação com as culturas locais devem ser respeitadas.

A segunda palestra foi ministrada pelo economista João Andrade, coordenador de Projetos do Programa de Políticas Públicas do Instituto Centro de Vida (ICV). Andrade explicou aos participantes como a Economia vem discutindo cada vez mais a questão ambiental e uma das correntes de pensamento defendendo a idéia de que a natureza pode ser valorada. De acordo com Andrade,é com essa linha de pensamento que várias ações e políticas públicas de pagamentos de serviços ambientais começam a ser delineados e melhorados no Brasil e em várias outras partes do mundo.

Ele citou como exemplo o ICMS Ecológico, que existe em vários estados e inclusive em Mato Grosso, onde o município que possui áreas de conservação, terras indígenas e saneamento básico recebem um percentual maior do repasse do ICMS do governo estadual por estarem justamente prestando um serviço a sociedade, conservando a natureza. Outro exemplo são os projetos de seqüestro de carbono, que é negociado pela bolsa de Chicago, nos Estados Unidos.

“Mato Grosso tem uma grande oportunidade de implementar o REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação,aliando o pagamento de serviços ambientais com o comando e controle”,comentou. A proposta que está sendo implantada pelo governo estadual e ONGs com produtores rurais e assentados na região noroeste de Mato Grosso visa garantir um pagamento para aqueles que conservarem suas florestas para além do que a lei exige.

“Não estamos reduzindo a questão ambiental a preço, a economia ambiental é só mais um mecanismo que pode ajudar na conservação ambiental”, comentou Andrade , explicando que a economia é uma alternativa a mais mas que precisa de regulação e gestão, e que por isso, o papel dos governos e da sociedade civil tem que ser garantido nesse mecanismo.“Instrumentos de mercado podem ser muito úteis para fazer funcionar o comando e controle e garantir a eficiência das políticas públicas”,setenciou.

O curso de jornalismo ambiental é realizado por meio de encontros mensais no auditório da ADUFMAT, na UFMT. O próximo será no dia 18 de maio e tratará da temática dos povos indígenas. Com a parceria do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento – Formad e InstitutoCentro de Vida – ICV, o objetivo do curso é apresentar aos participantes questões que possam colaborar na realização de materiais jornalísticos voltadas para temas socioambientais.

O evento é uma das atividades prévias para o Congresso Brasileiro de Jornalistas Ambientais, que acontece entre os dias 9 a 12 de outubro,no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, MT e terá como tema central o meio ambiente versus projetos de desenvolvimento. A programação contará com palestras, mesas redondas, cursos, apresentação de trabalhos acadêmicos,exibição de filmes e várias atividades culturais.

O curso é uma promoção do Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso e Núcleo de Ecomunicadores dos Matos -NEM, uma ong de comunicadores e educadores ambientais de Mato Grosso e MatoGrosso do Sul.

 

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