Por Bruna Pinheiro / Formad
A defesa de territórios, direitos humanos e da terra e a escuta de suas lideranças têm um lugar em Mato Grosso: o Fórum Popular Socioambiental (Formad). A rede, composta por organizações da sociedade civil, movimentos sociais e associações, se reuniu em Assembleia Geral, para definir desafios prioritários, discutir governança interna e estratégias de atuação e incidência política. A atividade foi realizada em Cuiabá (MT), dos dias 04 a 06 de março.
Na edição deste ano, também foram realizadas as eleições da gestão trienal da Coordenação do Fórum. As filiadas Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Gaia do Pantanal e Operação Amazônia Nativa (Opan), que já ocupavam vagas no grupo, seguem por mais três anos. Ao lado delas, entra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Mato Grosso (MST), que pela primeira vez desde que entrou para o Formad, assume a Coordenação.
“Para nós do movimento é uma tarefa muito importante. Os sujeitos que compõem a luta socioambiental estarem representados na coordenação, é levar a perspectiva do enfrentamento à crise climática, da construção da reforma agrária popular. Entrar para a Coordenação é levar essa história do MST — já são 42 anos — para construir juntos as lutas do estado. Estou bastante animado, mas ciente da responsabilidade, e espero que possamos somar nesse processo importante, fortalecendo a luta”, disse Valdeir Souza, coordenador estadual do MST.
Além das organizações que compõem a Coordenação, a estrutura orgânica do Formad conta com a Secretaria Executiva. Em um trabalho coletivo, as entidades devem contribuir com a condução das atividades em rede e captação de recursos para projetos.
Eleições 2026
O período eleitoral em 2026 foi o eixo central da mesa de abertura da Assembleia Geral, que contou com a participação de organizações e lideranças parceiras do Formad em diferentes frentes de atuação. Entre os temas estratégicos discutidos estiveram o acompanhamento do zoneamento territorial em Mato Grosso e a articulação política diante de ameaças à legislação socioambiental.
Ao iniciar os trabalhos, Deroni Mendes, coordenadora do Programa de Transparência e Justiça Climática do Instituto Centro de Vida (ICV), destacou o papel do Formad como um “grande guarda-chuva dos territórios”, reunindo diferentes organizações e comunidades em defesa de direitos. Segundo ela, a assembleia busca fortalecer o sentimento de pertencimento entre os participantes e refletir sobre os caminhos da rede.
“A ideia é que todos se sintam parte do Formad, olhando para o que já fizemos e pensando em como vamos nos mobilizar e articular daqui para frente para evitar retrocessos”, afirmou.
A mesa política trouxe a coordenadora jurídica do Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT), Edilene Amaral, em uma análise de conjuntura no campo político do estado, ao lado de lideranças de comunidades ribeirinhas tradicionais, extrativistas e do segmento da pesca. O momento trouxe reflexões sobre o cenário nacional e estadual, além de escuta direta a respeito dos conflitos socioambientais nos territórios de Mato Grosso e os desafios e oportunidades para o campo socioambiental diante das eleições de 2026.
Balanço institucional e governança da rede
Criado em 1992, o Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) conta atualmente com 35 filiadas, das mais diversas bandeiras de luta e atuação no estado. A última filiação é do Coletivo Proteja, organização com foco em comunicação e mobilização popular, já tendo parcerias com algumas das entidades ligadas ao Formad. Clique aqui e conheça as demais filiadas do Fórum: https://formad.org.br/quem-somos
Durante os dois dias de atividades internas, as filiadas se distribuíram para discussões e avaliações a respeito da atuação das organizações em suas regiões/territórios e o alcance das articulações em rede. Entre os destaques dos últimos anos, os avanços na capacidade de incidência política e jurídica da rede, além do fortalecimento das ferramentas de comunicação e a visibilidade das pautas socioambientais no estado. Outro ponto de destaque ficou pela contribuição do Fórum no acesso a instrumentos de defesa de direitos e a formação de lideranças comunitárias, em especial, das juventudes.
A Assembleia Geral promoveu ainda discussões sobre mudanças necessárias na governança da rede. Além da perspectiva da realização de reuniões ampliadas temáticas ao longo do ano para aprofundar debates sobre temas estratégicos, como agrotóxicos, zoneamento territorial, grilagem de terras, mineração e violência contra mulheres.
Ao final das discussões, as organizações reafirmaram a importância do Formad como um dos principais espaços de articulação socioambiental em Mato Grosso. Entre os consensos construídos estão a necessidade de fortalecer a ação coletiva, ampliar a participação das filiadas nas decisões da rede e definir prioridades estratégicas para os próximos anos.
Para os participantes, diante do avanço de pressões sobre os territórios e das mudanças no cenário político e climático, a consolidação do Formad como espaço de articulação, formação política e incidência pública seguirá sendo fundamental para a defesa dos direitos socioambientais no estado.