O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (FORMAD) iniciou, no primeiro semestre de 2026, um ciclo formativo em comunicação popular com enfoque nas questões climáticas. O projeto ‘Núcleo Clima em Rede’ é uma iniciativa inédita do Fórum e reúne organizações, comunidades, comunicadores dos territórios, lideranças, estudantes universitários e apoiadores. As ações foram iniciadas em abril, com previsão de conclusão até setembro de 2026.
Com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS)e Misereor, o projeto tem como horizonte, neste primeiro ciclo de seis meses, contribuir para a construção do Núcleo de Comunicação Popular do FORMAD. A proposta busca ampliar a capacidade da rede de fortalecer as lutas das organizações que integram o Fórum e atuam em territórios dos biomas Pantanal, Amazônia e Cerrado, em Mato Grosso.
Nesta primeira edição, participam do processo formativo 20 pessoas, entre integrantes de comunidades extrativistas, ribeirinhas e quilombolas, pessoas assentadas da reforma agrária, representantes de famílias agricultoras em luta em acampamentos que estão em processo de assentamento, representantes de movimentos sociais e estudantes de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O projeto é realizado pelo FORMAD, por meio do Instituto Caracol, e conta com acompanhamento metodológico da aProteja, responsável pela organização dos conteúdos programáticos e pela facilitação das atividades junto ao Fórum. As ações acontecem de forma presencial e online, com a mobilização da Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT/MT), do Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso (MAB/MT), do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), ligado à UFMT, da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, do Acampamento União/Recanto Cinco Estrelas, do Assentamento Boa Esperança, do Assentamento Projeto Sol, em Colniza, da Associação dos Moradores Agroextrativistas da RESEX Guariba/Rio Roosevelt (AMARR), da Associação dos Moradores Agroextrativistas da RESEX Guariba Roosevelt/Rio Guariba (AMORARR) e da Associação dos Taboqueanos Extrativistas Ribeirinhos do Araguaia (ATERA).
Ciclos
No primeiro semestre deste ano, foram realizadas as duas primeiras etapas do Núcleo Clima em Rede. As formações aconteceram de forma presencial em Cuiabá, com atividades online entre os encontros. Nos meses de abril, maio e junho, os trabalhos se concentraram na aproximação entre os territórios com ações de intercâmbio de experiências e leitura coletiva das realidades vividas pelas comunidades.
Nesse período, as pessoas participantes apresentaram conflitos, ameaças, formas de resistência, práticas comunitárias, impactos da crise climática na vida cotidiana e desafios de comunicação. Também foram trabalhadas reflexões sobre comunicação popular e clima, criando uma base comum para as ações práticas iniciadas em grupo, além de atividades específicas realizadas por cada território e pelos estudantes de Jornalismo da UFMT.
Ao longo desses três meses, foram realizados dois encontros presenciais e seis encontros virtuais. Entre uma etapa e outra, as pessoas participantes desenvolveram atividades junto às suas comunidades compartilhando aprendizados e produzindo registros audiovisuais e escritos como parte da prática formativa.
A agenda climática atravessa todo o percurso formativo. A proposta aproxima o debate sobre clima da vida concreta das comunidades, considerando os efeitos das queimadas, da seca, das mudanças nos rios, do avanço do agronegócio, da grilagem, dos conflitos fundiários e da pressão sobre povos e comunidades tradicionais. O ciclo também aborda desinformação e justiça climática, incluindo reflexões sobre os cuidados necessários para comunicar situações de risco sem ampliar a exposição das pessoas envolvidas.
A formação parte do entendimento de que a comunicação popular vai além da produção de conteúdos. Ela organiza memórias, fortalece vínculos, registra violações, denuncia violências, valoriza modos de vida e amplia a capacidade de mobilização dos grupos. Nesse sentido, o Núcleo Clima em Rede busca fortalecer uma comunicação construída com cuidado e compromisso com as lutas e com as pessoas.
As próximas etapas do ciclo devem avançar nas reflexões e nas ações práticas, com a intenção de compartilhar as produções realizadas durante as formações nas comunidades e com a rede FORMAD. Ao fortalecer a comunicação popular no Fórum, o processo busca ampliar a capacidade das organizações de contar suas próprias histórias, proteger suas memórias, disputar narrativas e incidir no debate público a partir dos territórios.
Este material foi produzido coletivamente no âmbito do Núcleo Clima em Rede, iniciativa do FORMAD realizada por meio do Instituto Caracol, com apoio do Instituto Clima e Sociedade, Misereor e acompanhamento metodológico da aProteja.