Documentário narra a união de comunidades locais em busca de escuta na agenda climática

Produção é do Formad com a OPAN.

Por Bruna Pinheiro / Formad

A união entre povos e comunidades locais de três continentes para incluir suas populações na agenda internacional climática é tema do documentário Vozes da terra na Convenção do Clima, lançado este mês. A produção é assinada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad) e a Operação Amazônia Nativa (OPAN) e traz um pouco da articulação de coletivos, organizações e sociedade civil na Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP). O trabalho é resultado de depoimentos coletados durante a COP-30, em Belém (PA), a primeira Conferência do Clima em solo brasileiro.

Não podemos trabalhar de forma individualizada, quando o inimigo verdadeiro é este neocolonianismo extrativista que chega em nossos territórios. Temos que lembrar que somos passageiros nesse mundo e o que fica como legado é deixar um mundo melhor para as próximas gerações”, destaca Dina Juc, coordenadora da Área de Direitos e Cultura da Alianza Mesoamericana de Pueblos y Bosques (AMPB), da Guatemala. A fala é do documentário Vozes da terra na Convenção do Clima.

O lançamento antecede as atividades da 15ª Reunião do Grupo de Trabalho Facilitador da LCIPP, que acontece em Bohn, na Alemanha, entre os dias 02 e 06 de junho. Representantes de algumas das organizações atuantes nessa articulação global são os entrevistados do documentário, que traz a importância do fortalecimento da Plataforma para a inclusão de comunidades locais nas discussões internacionais sobre os impactos das mudanças climáticas. A premissa é de que as populações responsáveis pela preservação e proteção da biodiversidade pelo mundo tenham voz nos espaços de decisão a respeito do tema.

As comunidades locais são aliadas na proteção do meio ambiente, lutam pela preservação das águas. É uma luta em comum com os povos indígenas”, completa Inanukula Kayabi Suya, presidente da Associação Terra Indígena Xingu (ATIX). A mobilização indígena é uma inspiração para a criação do Caucus das Comunidades Locais, uma vez que organizações articuladas e reunidas em escala internacional, tendem a alcançar melhores resultados.   

Trajetória de comunidades na LCIPP

A inclusão de comunidades locais na LCIPP foi uma das pautas prioritárias do Formad na COP-30, em 2025. Além da presença em eventos oficiais e paralelos do tema, a rede também apoiou a participação e credenciamento de junto à ONU de representantes de PCTs no evento internacional. Na edição em território amazônico da Conferência, lideranças de territórios mato-grossenses protagonizaram discussões, articularam estrategicamente e ampliaram os seus acessos e incidência política.  

Instituída na COP em 2015, a Plataforma tem um órgão de operacionalização criado em 2018, o FWG (Grupo de Trabalho Facilitador), que tem entre os objetivos fundamentar e viabilizar as discussões e encaminhamentos. O grupo é composto por 14 membros, sendo dividido igualitariamente entre indicados pelos povos indígenas e representantes de governos. “Na COP-24, na Polônia, foi decidido que haveria a presença de três lugares para representantes de comunidades tradicionais, mas até hoje não foi possível garantir a presença por falta de orientação de que maneira seriam essas indicações”, explica no documentário Andreia Fanzeres, da OPAN. E é esta lacuna que a Plataforma Global de Comunidades Locais pretende preencher e avançar na inclusão.

Representantes de filiadas do Formad na reunião da LCIPP, em Belém (PA).

A articulação em torno da inclusão de comunidades locais na LCIPP é apoiada pelo Formad e outras organizações nacionais, que se apoiaram na COP30 para a criação do Fórum Global de Comunidades Locais sobre Mudanças Climáticas, o Caucus de Comunidades Locais. Entre elas, o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil (CNPCT), Instituto Centro de Vida, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Rede Cerrado e internacionais como a Alianza Mesoamericana de Pueblos y Bosque (AMPB), CLARIFI, CORET, Federation of community Forestry Users Nepal (FECOFUN), Global Alliance, Green Foundation Nepal, Institute of Development Studies (IDS), Rede de Mulheres Africanas para a Gestão Comunitária das Florestas (REFACOF), Rede Mexicana de Organizações Campesinas Florestais (Rede Mocaf), Utz Che e a Women Rights and Resource Network (WRRN).

Assista!

Vozes da terra na Convenção do Clima foi gravado nos corredores da COP-30, em Belém (PA), com lideranças de comunidades locais de diferentes países, a exemplo de Dina Juc, da Guatemala, Inanukula Kayabi Suya, do Brasil, Robert Karoro, de Kiribati (Oceania) e Gustavo Sanchez, do México. Representando organizações da sociedade civil, como o Formad, participam Andreia Fanzeres, da OPAN, e Deroni Mendes, do Instituto Centro de Vida (ICV).

O documentário é uma produção do Formad e da OPAN, com apoio de Fastenaktion e Misereor e pode ser assistido nos canais do Youtube das organizações. Dê o play!

 

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