Filiadas do Formad levarão a luta na Bacia do Paraguai para o 3º SIBSA

Evento é realizado em Cuiabá, dos dias 27 a 29 de maio.

Por Bruna Pinheiro / Formad

Ailton Krenak, Eliete Paraguassu e Marizelha Lopes abriram os caminhos para as discussões do 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA), nesta quarta-feira (27), em Cuiabá (MT). As lideranças destacaram a importância da resistência popular, em especial, das comunidades tradicionais e povos indígenas, no enfrentamento à crise climática e os impactos sobre os territórios. A atividade marcou o início da programação do evento nacional, que após 12 anos sem edições, volta a acontecer. O Simpósio é realizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e terá rodas de conversas, mostra de trabalhos científicos e intervenções culturais até a sexta-feira (29), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Grande Roda de abertura do 3º SIBSA (foto: Bruna Pinheiro/Formad)

Com o tema “A luta da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico, soberania, justiça e conhecimento para a transformação”, o 3º SIBSA propõe o diálogo interdisciplinar e intercultural entre diferentes saberes. A escolha do Mato Grosso destaca a relevância ambiental e social do estado, que abriga Amazônia, Cerrado e Pantanal, além de concentrar conflitos territoriais, impactos do agro-minero-hidro-negócio e processos de desterritorialização de povos e comunidades tradicionais.

Da mesma maneira que as nossas ecologias são plurais, a maneira de afetá-las também são, pelo garimpo, a mineração, o mercúrio, o agronegócio. Eles chegam e plantam tudo. Passa boi, passa boiada. Chega o agro e toma conta de tudo, em uma perspectiva extrativista de extrair tudo o que puder“, alertou Ailton Krenak, líder indígena, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL).

A resistência de Eliete Paraguassu (Foto: Bruna Pinheiro/Formad)

Da Ilha da Maré, na região da Baía de Todos os Santos, em Salvador (BA), as ativistas quilombolas Eliete Paraguassu e Marizelha Lopes, destacaram o racismo ambiental que as suas comunidades sofrem no enfrentamento e denúncias dos impactos socioambientais causados pela exploração das águas e recursos naturais, com os projetos de industrialização e outras atividades econômicas na região. Resistentes, as duas encerraram a sua participação com um grito de luta: “No rio e no mar, pescadores na luta! Nos açudes e nas barragens, pescando liberdade. Hidronegócio, resistir! Cerca nas águas, derrubar!”

De acordo com a organização do evento, o 3º SIBSA retoma um processo iniciado nas edições anteriores e reforça o compromisso da Abrasco com a articulação entre produção científica, saberes populares e experiências territoriais. A programação prevê rodas de debate, rodas de saberes, tendas temáticas, atividades culturais e espaços de convivência.

Formad no SIBSA

Entre as discussões previstas na programação do Simpósio está a roda temática “Conflitos socioambientais e desafios na Bacia do Paraguai“, sob coordenação da professora da UNEMAT e integrante do Instituto Gaia (filiada do Formad), Solange Ikeda. Também participam como expositores, Clovis Vailant, do Instituto Gaia e Pacto pela Restauração do Pantanal, e Edinalda Nascimento, da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira. A roda acontece na quinta-feira (28), a partir das 10h30, no Bloco da Saúde Coletiva (sala 17). O espaço se dedicará a discutir as incidências e enfrentamentos em rede e com parcerias de coletivos e comunidades tradicionais às constantes ameaças às águas da Bacia do Paraguai, na região do Pantanal.

12 anos depois
O Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente é um espaço histórico de articulação entre ciência, movimentos sociais e territórios. A iniciativa parte do entendimento de que os processos de adoecimento estão diretamente relacionados às formas de organização social, aos modelos de desenvolvimento e às desigualdades socioambientais. A última edição ocorreu em 2014, em Belo Horizonte. Em 2026, o evento é presidido por Karen Friedrich e Guilherme Franco Netto, ambos da Fiocruz e integrantes do GT Saúde e Ambiente da Abrasco. Para Karen Friedrich, a realização de uma nova edição é urgente diante do agravamento das crises socioambientais. “Em 2014, já estava evidente que os anos seguintes seriam preocupantes no campo da Saúde e Ambiente. Nove anos depois, vemos que o cenário se agravou ainda mais. As tragédias de Mariana e Brumadinho, as enchentes, as temperaturas extremas em todo o país. O colapso ecológico, há décadas anunciado pelos cientistas, passa a ser sentido mais diretamente pelas pessoas”, afirma. Sobre a escolha da sede, destaca a centralidade dos territórios do Centro-Oeste e a resistência dos movimentos sociais e da comunidade científica local”. 

A programação completa pode ser acessada aqui.

  • Com informações l Comunicação Abrasco

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