Biomas de MT mobilizam debates e pesquisas em evento internacional de jornalismo investigativo

21º Congresso da Abraji levantou pautas ambientais com jornalistas, pesquisadores e estudantes.

Por Bruna Pinheiro / Formad

Em uma programação recheada de informações, troca de experiências e aprendizado, as pautas relacionadas a Mato Grosso foram destaque no 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O evento aconteceu na capital de São Paulo, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, e reuniu profissionais da comunicação, tecnologia, política, direito e áreas afins. 

Entre as 12 trilhas temáticas do Congresso, a de Clima e Meio Ambiente trouxe diferentes pautas e abordagens a respeito da apuração jornalística, checagem de dados, sugestões de investigações e outras atividades para ampliar a cobertura socioambiental no país. Outras trilhas também abordaram questões sobre direitos humanos, transparência, América Latina, eleições, tecnologia, segurança para jornalistas e IA. 

A pauta climática abriu os trabalhos do Congresso, no dia 30, com a palestra “Clima depois da COP: como transformar urgência em rotina editorial”, que reuniu as jornalistas Sônia Bridi (TV Globo) e Valéria Oliveira (G1 Roraima), com mediação de Paula Bianchi (Repórter Brasil e Abraji).  A conversa chamou a atenção para a cobertura de pautas ambientais também por outros segmentos do jornalismo, a exemplo das editorias de economia e política. “Não é sobre incluir a questão climática em novas editorias, mas abordá-la em todas. Só assim o público vai entender o que são as mudanças climáticas”, destacou Sônia Bridi. 

A Amazônia foi tema de outras atividades, como as que abordaram as experiências do jornalismo independente na região e o uso de dados geoespaciais para investigar crimes ambientais no bioma. O Cerrado teve como pauta o avanço e impactos da mineração de terras raras e a palestra “De olho no Cerrado: jornalismo investigativo no bioma mais ameaçado do Brasil”, no dia 1º. A mesa contou com os jornalistas Felipe Sabrina (Intercept Brasil), Fernanda Lourenço (Ambiental Media) e mediação de Raphael Pontes (Grupo Jaime Câmara). Entre os assuntos debatidos, o avanço da grilagem no bioma, o aproveitamento de plataformas digitais de monitoramento para apuração de dados e a aliança entre poderes para continuidade de crimes ambientais na região. 

Ainda na pauta climática foram promovidas discussões sobre corrupção e crimes ambientais, combate à desinformação ambiental e ferramentas para investigações jornalísticas voltadas para o meio ambiente. O Congresso foi palco também do lançamento do Manual de Redação Indígena, apresentado pela jornalista da Operação Amazônia Nativa (Opan) e conselheira da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Helena Corezomaé, e os indígenas comunicadores Jamille Mura (WWF Brasil) e Ykaruní Nawa (Funai e Abrinjor), com mediação de Tainã Mansani (Mapa da Mina). 

O Manual é um guia com orientações a respeito da linguagem, grafia dos povos e territórios indígenas, uso de imagens, respeito ao tempo e tradições culturais, e caminhos para uma cobertura jornalística não indígena que busque narrativas e personagens diversos. “O nosso manual está muito didático mesmo e trazendo vários pontos durante a cobertura, que reflete nos jornais e notícias que temos lidos e que não foram feitas de forma ética sobre os povos indígenas”, reforçou Helena Corezomaé. 

Bolsas da Abraji

Para oportunizar a diversidade do público participante, a Abraji promoveu nesta edição seis programas para selecionar bolsistas, sendo eles o de Defensores Ambientais, Jornada Galápagos, Mulheres Negras, Projeto Caravana/IDEM, Seminário de Pesquisa (Mostra) e Seminário de Pesquisa (Artigo). Os selecionados foram convidados para o Congresso e puderam participar de mentorias, oficinas e palestras. 

A jornalista e comunicadora do Formad, Bruna Pinheiro, foi uma das 35 profissionais selecionadas no Brasil pela bolsa para Mulheres Negras, idealizada por Basília Rodrigues, jornalista e diretora da Abraji. Este é o terceiro ano consecutivo do programa, que teve o maior número de candidatas inscritas, chegando a 342 no total. 

O 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo foi realizado em São Paulo, dos dias 30 a 1º de agosto. O evento é organizado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e conta com o apoio institucional do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), IACC (Conferência Internacional Anticorrupção), Instituto Talanoa, ITS Rio, Jornalistas & Cia, Projor, Posit e Transparência Internacional. 

Foto: Ahmad Jarrah

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