O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso – Formad, rede socioambiental com 34 anos de existência, tem participado de momentos da história recente da redemocratização brasileira, sem nunca se acovardar quando o cenário é de enfrentamento. Assistimos com esperança a criação do Fundo Amazônia, em 2008, e a diminuição do desmatamento, a criação de Projetos de Assentamento e Unidades de Conservação, a saída do país do Mapa da Fome pela primeira vez, em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff e novamente, em 2025, na atual gestão do presidente Lula, a criação de políticas afirmativas na Educação, o reconhecimento das identidades territoriais de Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais, o avanço nas políticas de reforma agrária, entre outros avanços e conquistas.
Contudo, após um golpe na democracia, em 2016, fomos levados aos retrocessos de direitos das pessoas e da natureza, a situação vergonhosa de retorno ao Mapa da Fome, em 2022, como consequência do governo Bolsonaro, o abandono da sociedade brasileira e os mais de 700 mil mortos durante a pandemia, incluindo a desumana e terrivelmente inesquecível “fila do ossinho” que escancarou a desigualdade social fruto de um projeto de extermínio social no país, o aumento do desmatamento e do crime organizado que se espalhou, inclusive, em terras indígenas e reservas legais.
Nossa rede é autônoma e plural, sem vínculo partidário. Porém entendemos que a defesa ambiental, principalmente agora, deve ser intransigente e não diz respeito a partido X ou Y. Entendemos que não há espaço para dúvidas em relação há quem defende propostas democráticas e trazem programas de proteção ambiental e de direitos, e por outro lado, quem não têm nenhum compromisso com a defesa do Brasil, de seus territórios e do direito de seus cidadãos ao ambiente saudável. Entendemos que uma proposta de revisão constitucional como já prometida por Flávio Bolsonaro, por exemplo, representa um golpe disfarçado de processo legítimo, que pode e deve afetar políticas públicas, programas sociais, liberdade de expressão, soberania nacional, segurança jurídica e previdenciária, entre outros prejuízos que levarão décadas para serem recuperados e a custos altos.
Não podemos esquecer o que aconteceu durante a pandemia: a fila do ossinho, a recusa na compra de vacinas, o lobby para disseminar medicações sem a devida eficácia, as piadas com quem estava sem ar e enterrando parentes em sacos de lixo. Não podemos esquecer do que fizeram com o povo Yanomami e suas mais de 500 crianças mortas de fome. Não podemos esquecer do abandono dos incêndios e aumento das queimadas e desmatamento com o incentivo para “deixar a boiada passar”, da paralisação da reforma agrária e ataque aos movimentos sociais do campo com aumento dos conflitos na luta pela terra. Não podemos esquecer daqueles que barraram o fim da escala 6×1, sob a falsa narrativa de que é o trabalhador quem deve negociar com o patrão. Não podemos esquecer que a democracia pode estar em sério risco porque já deram sinais de que querem ocupar a presidência através da força, isso não é democracia, isso é golpe.
Vote pela proteção dos povos, da natureza e da democracia!
Não fique em casa! Não deixe que a barbárie assuma o poder!
ASSINAM ESTA CARTA (atualizada às 17h05 de 14 de out):
- aProteja.org
- Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor)
- Associação das/os amigas/os do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (Aamobep)
- Associação dos Moradores Agroextrativistas da RESEX – Rio Guariba (Amorarr)
- Associação dos Moradores Agroextrativistas da RESEX – Rio Roosevelt (Amarr)
- Associação dos Taboqueanos Extrativistas Ribeirinhos do Araguaia (ATERA)
- Associação Sócio Cultural e Ambiental Fé e Vida
- Associação Xaraiés
- Banda Calorosa (grupo musical)
- Batalha Pulo na Bala
- Casa Biosfera
- Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso (CUT-MT)
- Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès (CDHDMB)
- Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade
- Centro de Tecnologia Alternativa (CTA)
- Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT)
- Comitê Popular do Rio Paraguai/Pantanal
- Conselho Indigenista Missionário regional Mato Grosso (Cimi-MT)
- Dudi Brito (designer gráfico)
- Fórum Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso
- Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias)
- Instituto Caracol
- Instituto Centro de Vida (ICV)
- Instituto Ecótono
- Instituto Gaia do Pantanal
- Instituto Nacional Sementes do Bem
- Karola Nunes (artista)
- Laís Dias Souza da Costa (jornalista)
- Lambuza Musical (produtora musical)
- Levante Popular da Juventude de Mato Grosso
- Lúdio Cabral (deputado estadual)
- Movimento dos/as Atingidos/as por Barragem/Coordenação MT (MAB-MT)
- Movimentos dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST-MT)
- Núcleo de Estudos Ambientais, Saúde, Trabalho e Educação (Neast-UFMT)
- Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT)
- Operação Amazônia Nativa (OPAN)
- Pacto das Águas
- Rede Katahirine
- Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – MT
- Rogério Florentino Pereira (jornalista)
- Sasminina (grupo musical)
- Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (SINDJOR-MT)
Caso tenha interesse em somar a tua organização/entidade/coletivo à Carta, envie um email para comunica@formad.org.br